quarta-feira, 1 de junho de 2016

Funai fala sobre gêmeos rejeitados por tribo

Funai fala sobre gêmeos rejeitados por tribo  (Foto: Divulgação)
A Fundação Nacional do Índio (Funai) se pronunciou sobre a situação dos bebês gêmeos nascidos na tribo Arawete, no município de Altamira, no sudoeste paraense.
As crianças foram rejeitadas pela tribo, devido à crença da etnia que entende gêmeos como o símbolo da aparição de uma catástrofe. Ainda nesta segunda-feira (30), circulava na região a informação de que os indígenas queriam sacrificar as crianças, e que teriam tentado invadir o hospital em que estavam internados para sequestrar e matar as crianças. A Funai, entretanto, desmentiu as afirmações. “Essas informações foram compartilhadas de forma anônima, caluniosa e criminosa, afirmando equívocos sobre a família, os bebês e o povo Arawete”, afirmou Gilson Curuaia, coordenador regional do órgão em Altamira. “A Funai está acompanhando o caso e providenciando os devidos encaminhamentos, mas, por hora, não há ainda uma decisão concreta. Mas queremos tomar as melhores medidas para preservar as crianças e a população da etinia”, completou o coordenador.
Nascimento de gêmeos em aldeia gera caso delicado (Foto: Eduardo Viveiros de Castro)
ADOÇÃO: Segundo o coordenador da Associação Indígena Kuruaya, Cláudio Kuruaya, ainda não há uma decisão final sobre o destino das crianças, mas normalmente nos casos em que os bebês são rejeitados pela tribo, a adoção é o procedimento usual.  “Houve um caso recente em que uma criança de uma tribo foi doada para uma família após ser rejeitada pela mãe, porque aprendeu a falar português”, informou Kuruaya. De acordo com o coordenador, os órgãos indígenas devem acionar o Ministério Público ainda hoje para iniciar o trâmite da adoção. http://www.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-369495-.html

“As crianças estão bem, são saudáveis e lindos, têm recebido a visita de seus pais, que buscam, justamente por os amar, um destino melhor para os meninos”, escreveu Uwira Xakriaba na nota.

Veja a nota na íntegra:

“A mensagem que tem sido divulgada sobre os gêmeos está imbuída de preconceito e de inverdades sobre o fato. De fato, um casal do referido povo teve gêmeos, o que em sua cultura e para seu sistema de crenças traz sérias consequências para a continuidade de sua existência, isto está embasado por sua mitologia tupi, onde os gêmeos mitológicos foram responsáveis por uma série de ações envolvendo possibilidades de fim do mundo como o conhecem. Na mitologia, um dos gêmeos foi responsável pelo cataclisma universal que alagou o mundo, não podemos esquecer que no quintal da casa desse povo foi construída a UHE Belo Monte.

Não houve rejeição das crianças pelos pais, eles as amam e estão muito preocupados com elas, o que aconteceu foi a determinação por parte dos pajés, que os gêmeos não podem viver na aldeia, pois isso teria consequências para todo o povo. Não houve invasão do hospital por parte do Povo Arawete e nem salvamento algum porque não há a intenção de matar as crianças a qualquer custo, isso é uma ilação criminosa por parte de quem não conhece nada sobre povos e culturas indígenas e se aproveita de uma situação para divulgar seu próprio preconceito. As crianças estão bem, são saudáveis e lindos, têm recebido a visita de seus pais, que buscam, justamente por os amar, um destino melhor para os meninos.

A FUNAI está acompanhando a situação junto com a equipe do DSEI Altamira e o CONDISI, especialistas estão sendo acionados para juntos buscarmos uma solução para a situação de modo a respeitar a cultura Arawete e sobretudo o direito de viver das crianças. Elas se encontram sob os cuidados da equipe de saúde do DSEI e não correm qualquer perigo além de sua exposição covarde e irresponsável nas redes sociais por pessoas desinformadas ou mal intencionadas.

Solicito a todos que não compartilhem o preconceito e nem as imagens das crianças, senão por consciência, porque isso é crime, o qual pretendemos que seja investigado e punidos os culpados”.


(DOL com Leidemar Oliveira/Diário do Pará)

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