terça-feira, 5 de julho de 2016

Rios Voadores: 9 são presos mas chefe do esquema de desmatamento e grilagem está foragido

Rios Voadores: 9 são presos mas chefe do esquema de desmatamento e grilagem está foragido
A operação Rios Voadores, iniciada em cinco estados pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal, Receita Federal e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, cumpriu um total de 28 mandados de prisão preventiva, condução coercitiva e buscas e apreensões nos estados do Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
O empresário paulista Antonio José Junqueira Vilela Filho, considerado o chefe do esquema, está foragido. O nome de Junqueira Vilela, conhecido como Jotinha, vai entrar na lista de procurados da Interpol, pelo risco de fuga para o exterior. Os computadores e documentos apreendidos pela operação serão enviados para análise em Belém. A quadrilha atuava principalmente no distrito de Castelo dos Sonhos, em Altamira e na região de Novo Progresso, na região sudoeste do Pará.

O esquema movimentou R$ 1,9 bilhão entre 2012 e 2015 e destruiu 300 km quadrados de florestas em Altamira, no Pará, área equivalente ao território de municípios como Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG) ou Recife (PE). O prejuízo ambiental foi de R$ 420 milhões. Segundo as investigações, o grupo invadia florestas em terras públicas, retirava e vendia a madeira de valor mais alto, e depois derrubava a mata remanescente e ateava fogo. 

Na terra devastada era plantado capim e instalada criação de gado. Para praticar esses crimes a organização criminosa utilizava mão de obra submetida a condições semelhantes às de escravos. Após a consolidação das pastagens, o grupo registrava os terrenos em cadastros ambientais rurais oficiais. Os registros eram feitos em nome de laranjas (pessoas que servem como intermediárias em negócios fraudulentos). As pastagens, então, eram exploradas pelos próprios integrantes do grupo ou arrendadas para terceiros.

Por essas e outras irregularidades, Jotinha figura hoje como o infrator que recebeu multas de maior maior valor já aplicadas pelo Ibama na Amazônia (R$ 163 milhões em dez autos de infração), e que é responsável pela maior área já embargada pela autarquia na região (300 km quadrados).

Rios Voadores - O título da operação é emprestado do nome dado ao fenômeno natural responsável por transportar um imenso volume de umidade e de vapor de água da Amazônia até outras regiões do Brasil, como o centro-oeste, o sudeste e o sul.

Segundo ambientalistas, a quantidade de água da bacia amazônica carregada por essas massas de ar chega a ser superior à escoada pela foz do Amazonas, o maior rio do mundo.

Quando eles passam sobre São Paulo, podem conter 27 vezes o volume do rio Tietê, o que equivale a 115 dias da média de consumo de água da cidade, informou  durante a conferência Rio +20 o ambientalista Gérard Moss, um dos pesquisadores do tema. Saiba mais em http://riosvoadores.com.br.


Ministério Público Federal no Pará
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