domingo, 23 de abril de 2017

Polícia sem condições de encarar a criminalidade

Polícia sem condições de encarar a criminalidade  (Foto: Reprodução)
O vice-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Pará (Sindpol), Pablo Farah, traçou um panorama sobre violência no Estado e constatou que toda essa onda de assassinatos que a população vive,
apavorada, é fruto de uma desestruturação das instituições de Segurança Pública (Polícias Civil e Militar, bombeiros, agentes penitenciários) que se instalou nos últimos 16 anos no Pará. “O primeiro ponto que a gente observa é que a população aumentou significativamente, ao mesmo tempo em que o efetivo da polícia diminuiu”, pontuou Farah.

Hoje, o Pará tem mais de 8 milhões de habitantes, segundo o IBGE, e apenas cerca de 2.600 policiais civis na ativa. Sendo que o Sindpol-PA estima que 600 policiais civis não estejam atuando porque estão de licença médica ou coisas do tipo. “Outras causas também são observadas, como a situação das seccionais e delegacias”, levantou Pablo. “Muitas destas unidades estão em situação degradante, como a de Marituba, por exemplo”, disse. Vale ressaltar que Marituba apresenta elevados índices de assassinatos.

Para Farah, sem as devidas condições de trabalho, é muito difícil a polícia cumprir o seu papel de servir a população. “Temos ótimos policiais, que dobram serviço. Fazem o que podem para trabalhar com os equipamentos defasados, mas nenhum destes policiais é valorizado pelo Governo do Estado”, lamentou Pablo Farah, que percebe que a população já sente o reflexo destadesestruturação da polícia.

“Policiais e a própria população já começam a mudar de comportamento no dia a dia por causa do medo, da insegurança. Ninguém pode ficar mais na frente de casa. Temos que ficar de sentinelas o tempo todo”, ressaltou. “Esta é principal evidência da falência do sistema público de Segurança do Estado”, finalizou ele, citando ainda que nem mesmos os agentes de segurança estão livres da violência. Neste ano, quase 20 policiais e/ou guardas municipais foram mortos.

Na última quarta-feira (19), o DIÁRIO solicitou à Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) dados atualizados sobre o número de homicídios registrados no Pará em 2016 e no primeiro trimestre deste ano. Também solicitou informações sobre o volume de investimentos na área de Segurança Pública do Estado, porém até o fechamento desta edição não tivemos nenhuma resposta.

(Denilson D'Almeida/Diário do Pará)

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